AtoM e Archivematica: Uma Arquitetura Sistêmica para a Preservação e o Acesso à Memória Digital
O cenário contemporâneo da Ciência da Informação e, especificamente, da Arquivologia, atravessa uma transformação estrutural exigida pela transição do suporte físico para o suporte digital. Esta mudança não é meramente cosmética; ela altera a própria ontologia do documento arquivístico. Diferente do papel, onde a informação e o suporte são indissociáveis, o documento digital é uma entidade complexa, composta por fluxos de bits que exigem uma infraestrutura tecnológica específica para serem interpretados e mantidos ao longo do tempo. A fragilidade inerente a esses suportes, aliada à rápida obsolescência de hardware e software, coloca em risco a integridade do patrimônio documental da sociedade. Para mitigar esses riscos, surgiram ferramentas especializadas que, embora distintas, atuam de forma sinérgica: o AtoM (Access to Memory) e o Archivematica. A compreensão destas ferramentas exige um olhar atento para os modelos conceituais que as sustentam. Enquanto o AtoM se volta para a interface com o usuário e a organização intelectual dos acervos, o Archivematica mergulha na preservação técnica e na manutenção da fidedignidade dos dados. Ambos são pilares do que a legislação brasileira, por meio do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), define como Repositório Arquivístico Digital Confiável (RDC-arq). A integração entre eles não é apenas uma conveniência técnica, mas uma estratégia para garantir a cadeia de custódia digital, permitindo que a memória institucional permaneça acessível e autêntica para as futuras gerações.
1. AtoM: O Acesso à Memória Através da Descrição Normatizada
O AtoM (acrônimo para "Access to Memory") representa o esforço da comunidade arquivística internacional em democratizar ferramentas de descrição e difusão. Originalmente concebido sob os auspícios do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), o software foi desenhado para ser uma aplicação web de código aberto que incentivasse a adoção de normas internacionais de descrição arquivística em um ambiente multilingue e multirrepositório. A definição técnica é a de uma aplicação baseada em ambiente web para descrição arquivística baseada em normas e acesso em contexto de múltiplos repositórios. Seu objetivo primordial é permitir que instituições (desde pequenos arquivos municipais até grandes bibliotecas nacionais) possam gerenciar seus inventários e disponibilizar seus acervos para consulta online de forma padronizada e intuitiva.
A filosofia de código aberto (licença A-GPL versão 3) é central aqui: ela garante que o código possa ser estudado, modificado e distribuído livremente, assegurando que a tecnologia não seja uma barreira proprietária ao acesso à memória cultural. O AtoM não é um programa que se "instala no Windows" de forma convencional, mas uma pilha de servidores que trabalham em conjunto e que, conforme ilustrado no quadro 1, sua arquitetura é composta por:
Toda a interação do usuário ocorre via navegador, eliminando a necessidade de softwares clientes pesados e permitindo o gerenciamento remoto de acervos. A robustez do sistema permite que ele funcione tanto para uma única instituição quanto como um portal agregador, recebendo descrições de diversas entidades em uma "lista de união". A força do AtoM reside na sua conformidade com os padrões do Conselho Internacional de Arquivos - CIA (International Council on Archives - ICA). O sistema oferece templates (modelos) de preenchimento que seguem as principais normas internacionais conforme listado no quadro 2:
No Brasil, a aplicação do AtoM é potencializada pela sua flexibilidade em acomodar a NOBRADE (Norma Brasileira de Descrição Arquivística). Embora o sistema venha com templates internacionais, grupos de pesquisa em universidades brasileiras, como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizaram o mapeamento e a tradução da interface, permitindo que os campos obrigatórios e as áreas de descrição da NOBRADE sejam respeitados. Isso inclui a adaptação de termos como "Zona de Identificação" para "Área de Identificação" e a inclusão de campos específicos para a realidade nacional. O AtoM permite a descrição multinível de forma orgânica. Ao descrever um fundo, o arquivista pode criar descendentes (séries, itens), e o sistema mantém o nexo de proveniência. Além dos metadados textuais, o software permite a associação de objetos digitais (como imagens JPG, PDFs ou vídeos) às descrições, fornecendo ao usuário final não apenas o dado sobre o documento, mas o próprio acesso ao seu conteúdo digitalizado ou nato-digital.
2. Archivematica: A Excelência Técnica na Preservação Digital
O Archivematica é um sistema de preservação digital de código aberto, projetado para manter o acesso de longo prazo em conformidade com os padrões internacionais mais rigorosos. Se o AtoM é o front-end (a face voltada ao público), o Archivematica é o back-end da preservação, focado no processamento técnico “invisível” mas vital para a sobrevivência dos dados.
2.1 O Modelo OAIS como Fundação Conceitual
O desenvolvimento do Archivematica não foi aleatório; ele é uma implementação prática do modelo funcional Open Archival Information System (OAIS), traduzido no Brasil como Sistema Aberto de Arquivamento de Informação (SAAI) — ISO 14721. Este modelo define como um repositório deve lidar com a informação desde a sua entrada até a sua entrega ao usuário final.
No Archivematica, a informação transita por diferentes estados, conhecidos como "Pacotes de Informação":
- SIP (Submission Information Package): O pacote de submissão. É o material digital tal como chega do produtor ao arquivo.
- AIP (Archival Information Package): O pacote de arquivamento. É a unidade mestre de preservação. Contém o objeto original, as cópias normalizadas, metadados técnicos e estruturais, e logs de todos os processos realizados pelo sistema.
- DIP (Dissemination Information Package): O pacote de disseminação. É uma versão derivada, otimizada para o acesso rápido via web. Frequentemente, este é o pacote que o Archivematica envia para o AtoM.
2.2 A Arquitetura de Microserviços e o Workflow de Preservação
A principal característica técnica do Archivematica é o seu design baseado em microserviços. Em vez de ser um software único que faz tudo, ele orquestra uma série de ferramentas especializadas (como FITS, ClamAV, Sleuth Kit, FFmpeg) para realizar tarefas granulares. Quando um arquivista inicia um processo de "Ingest" (Ingestão), o sistema dispara uma sequência automática de ações:
- Transferência e Quarentena: Os arquivos são recebidos e verificados contra vírus e malwares.
- Identificação de Formatos: O sistema utiliza o PRONOM (mantido pelo Arquivo Nacional do Reino Unido) para identificar com precisão o formato de cada arquivo, independentemente da extensão que ele apresente.
- Validação e Extração de Metadados: Verifica se o arquivo está corrompido e extrai informações técnicas intrínsecas (resolução, profundidade de cor, bitrate, etc.).
- Normalização: Este é um dos passos mais críticos. O Archivematica converte arquivos de formatos proprietários ou obsoletos para formatos de preservação de código aberto e amplamente aceitos (por exemplo, converter um arquivo.doc para PDF/A).
- Geração de Checksums: O sistema cria "hashes" (assinaturas digitais) para cada arquivo. Estes códigos permitem verificar, no futuro, se o bitstream sofreu qualquer alteração não autorizada.
2.3 Registro de Políticas de Formato (FPR)
O "cérebro" das decisões de preservação no Archivematica é o Format Policy Registry (FPR). O FPR é um banco de dados que associa formatos de arquivos a ferramentas específicas de identificação, visualização e normalização. Ele permite que a instituição defina, por exemplo, que todos os arquivos de imagem do tipo BMP devem ser convertidos para TIFF para preservação e para JPG para acesso. Esta abordagem garante que a preservação não seja estática, mas evolua conforme novas tecnologias e formatos surgem no mercado.
3. Convergências e Divergências: AtoM vs Archivematica
A confusão entre as duas ferramentas é comum, dado que ambas lidam com objetos digitais e são mantidas pela mesma desenvolvedora (Artefactual Systems). No entanto, suas funções no ecossistema arquivístico são fundamentalmente diferentes e complementares como apontado no quadro 3:
Em termos práticos, podemos dizer que o AtoM é o que o usuário vê, e o Archivematica é o que o dado precisa para sobreviver. O AtoM foca no "quem", "o quê", "onde" e "por que" de um documento (seu contexto histórico e administrativo), enquanto o Archivematica foca no "como" aquele documento é codificado tecnicamente e como garantir que ele continue legível. Uma instituição pode usar apenas o AtoM para descrever documentos físicos, mas para gerir um patrimônio digital de forma confiável, o uso de ambos de forma integrada é a recomendação de excelência.
4. Importância na Gestão e Preservação Documental e Patrimonial
A relevância dessas ferramentas para o patrimônio digital não pode ser subestimada. Vivemos em uma era de "fragilidade digital", onde a perda de informação pode ocorrer não apenas pelo tempo, mas pela evolução tecnológica que torna os arquivos ilegíveis.
4.1 Sustentabilidade da Memória Institucional
O uso do Archivematica garante que as instituições não fiquem reféns de formatos proprietários. Ao normalizar arquivos para padrões abertos, o sistema assegura que a memória institucional não desapareça quando uma empresa de software deixar de suportar uma versão antiga de um editor de textos. Isso é vital para o patrimônio público, onde a guarda de certos documentos é perpétua.
Simultaneamente, o AtoM atende à função social do arquivo: o acesso. Um arquivo que preserva mas não difunde é um "buraco negro" de informação. O AtoM permite que o patrimônio seja descoberto por pesquisadores, estudantes e cidadãos, cumprindo os requisitos de transparência e o direito fundamental à informação estabelecido na Constituição e na Lei de Acesso à Informação (LAI).
4.2 Repositório Arquivístico Digital Confiável (RDC-arq) e a Realidade Brasileira
No contexto brasileiro, a discussão sobre AtoM e Archivematica está intrinsecamente ligada ao conceito de RDC-arq. Um RDC-arq não é apenas um software, mas uma solução institucional que combina tecnologia, políticas e pessoas para garantir que os documentos digitais permaneçam autênticos e acessíveis.
4.3 O Marco Regulatório: Resoluções do CONARQ
O CONARQ tem desempenhado um papel fundamental na definição do que constitui um repositório confiável no Brasil. As resoluções evoluíram para acompanhar a tecnologia:
- Resolução nº 39 (2014) e nº 43 (2015): Estabeleceram as primeiras diretrizes para a implementação de RDC-arq, baseando-se no modelo OAIS e em requisitos de certificação e auditoria.
- Resolução nº 51 (2023): Esta é a norma vigente mais importante. Ela revogou as anteriores e estabeleceu a "Versão 2" das diretrizes para RDC-arq. A nova resolução reforça a necessidade de parâmetros técnicos rigorosos para garantir a autenticidade (identidade e integridade), a confidencialidade e a preservação de longo prazo.
Neste panorama, o Archivematica é frequentemente citado pela comunidade acadêmica brasileira como a plataforma de preservação por excelência que atende aos requisitos técnicos dessas resoluções. Ele provê o ambiente de custódia técnica onde o documento é "selado" digitalmente. O AtoM complementa este cenário como a "Plataforma de Acesso e Difusão", garantindo que a saída do repositório seja amigável e esteja em conformidade com as normas de descrição nacionais.
4.4 Autenticidade e Cadeia de Custódia Digital Arquivística (CCDA)
A autenticidade em ambiente digital é um conceito dinâmico. Ela depende da manutenção da Cadeia de Custódia Digital Arquivística (CCDA), que é a linha de tempo ininterrupta de custódia e processos realizados sobre o documento. Para que um documento seja considerado autêntico, ele deve provar que é o que diz ser e que não foi alterado de forma não autorizada desde sua gênese.
As ferramentas contemplam a CCDA da seguinte forma:
Garantia de Identidade: O AtoM, através da descrição arquivística detalhada e do controle de autoridades, garante que o documento esteja vinculado ao seu contexto de produção original (quem criou, em que atividade).
Garantia de Integridade: O Archivematica, através do uso de checksums e monitoramento constante (fixity checks), garante que nenhum bit do documento foi alterado ou perdido durante o armazenamento.
Rastreabilidade de Ações: O arquivo METS gerado no Archivematica registra cada intervenção técnica. Se um arquivo foi normalizado de.doc para PDF/A, essa "mutação" é documentada, mantendo o elo com o original.
Transferência Segura: A integração via protocolos como o SWORD assegura que o pacote de acesso que chega ao AtoM seja uma derivação legítima e controlada do mestre de preservação, sem intervenções manuais que possam quebrar a confiança no sistema.
5. Conclusões e Perspectivas para a Formação Arquivística
O comparativo entre AtoM e Archivematica revela que a arquivística digital moderna não se sustenta apenas com teoria ou apenas com tecnologia, mas com a fusão de ambas. O AtoM representa a face humanística e descritiva da profissão, preocupada em tornar a memória compreensível e acessível. O Archivematica representa a face técnica e científica, focada na estabilidade química (digitalmente falando) e na autenticidade dos registros. Entender essas ferramentas é compreender como o RDC-arq se materializa na prática. Não se trata de escolher uma ou outra, mas de projetar sistemas onde ambas colaborem para manter a cadeia de custódia ininterrupta.
A implementação bem-sucedida desses softwares em instituições como o Arquivo Nacional, a Câmara dos Deputados e diversas universidades brasileiras demonstra que o caminho para a preservação do nosso patrimônio digital passa pelo uso de padrões abertos, cooperação em comunidades e rigor normativo.
A evolução contínua dessas ferramentas, agora sob a égide de novas resoluções como a CONARQ 51/2023, aponta para um futuro onde a preservação digital deixará de ser um desafio extraordinário para se tornar uma rotina sistêmica e segura, garantindo que a memória da sociedade digital não seja apenas efêmera, mas um legado autêntico e disponível para a posteridade.
Referências
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