Sistemas de Gestão de Bibliotecas em Software Livre
Sistemas de Gestão de Bibliotecas em Software Livre: modernização, autonomia e eficiência
A crescente necessidade de modernização e a busca por eficiência e transparência têm impulsionado a adoção de Sistemas de Gestão de Bibliotecas em Software Livre (SIGB-SL). Essa modalidade se consolidou como uma alternativa estratégica e econômica aos softwares proprietários, sendo crucial para a automação de rotinas e serviços nas unidades de informação.
O conceito de Software Livre
O Software Livre (Free Software, ou FOSS) é um movimento político e filosófico que defende a liberdade de acesso ao código-fonte de qualquer programa. Segundo a Free Software Foundation (FSF), o usuário possui o direito de executar, copiar, distribuir, estudar, modificar e melhorar o software.
No contexto das bibliotecas, o software livre oferece vantagens significativas:
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Economia: custo zero de licenças, fator determinante para instituições com orçamentos limitados, como bibliotecas públicas e escolares.
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Flexibilidade e customização: a disponibilização do código-fonte permite adaptar o sistema às necessidades específicas, evitando dependência de tecnologias proprietárias.
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Comunidade e padrões: mantidos por grandes comunidades internacionais, os sistemas livres seguem padrões como MARC, Z39.50 e ISO 2709, garantindo estabilidade, interoperabilidade e aperfeiçoamento contínuo.
Exemplos notáveis de SIGB-SL
O mercado brasileiro oferece softwares livres robustos:
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Koha: o SIGB livre mais utilizado no mundo para gestão de acervos físicos. Inclui Circulação, Catalogação, Usuários e Relatórios, sendo adotado por universidades, institutos de pesquisa e órgãos de governo.
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DSpace: sistema de código aberto para Bibliotecas Digitais e Repositórios Institucionais, voltado para preservação e disseminação da produção digital com uso do Dublin Core.
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Ecossistemas integrados: combinações como Koha + DSpace + TemaTres + VuFind criam ambientes completos de gestão e descoberta da informação.
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Biblivre e Gnuteca: amplamente utilizados por bibliotecas públicas e privadas para catalogação e difusão de acervos.
A adoção de softwares livres representa um avanço na informatização das unidades de informação ao unir funcionalidade técnica, democratização do conhecimento e autonomia tecnológica.
Estudo de caso: Biblioteca MMFDH
A Biblioteca do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), estruturada em 2019, é um exemplo de unidade de informação especializada que adotou SIGB-SL como estratégia de modernização e transparência governamental. Sua missão é promover o acesso à informação e conservar a memória técnica do Ministério em temas como Direitos Humanos, Mulher, Família, Juventude e Igualdade Racial.
O MMFDH implementou um ecossistema integrado utilizando Koha, DSpace, TemaTres e VuFind, permitindo a gestão de acervos físicos e digitais, ampliando a transparência e garantindo acessibilidade com recursos como alto contraste e aumento de fonte, em conformidade com a LBI.
Objetivos dos SIGB-SL
Os SIGB-SL têm como objetivo modernizar e otimizar as atividades das unidades de informação. Entre seus principais propósitos estão:
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Automatizar rotinas e serviços da biblioteca.
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Otimizar processos e reduzir o tempo de trabalho.
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Gerenciar de forma integrada aquisição, catalogação, circulação e controle de acervo.
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Criar catálogos online (OPAC) para buscas remotas.
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Garantir a padronização de registros com MARC21, Z39.50 e ISO 2709.
Relevância para a Biblioteconomia e para os profissionais
Os SIGB-SL têm grande impacto na Biblioteconomia e na Arquivologia, pois contribuem para a modernização e democratização do acesso à informação.
Na prática bibliotecária, eles:
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Automatizam processos técnicos como aquisição, catalogação, circulação e relatórios.
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Garantem compatibilidade com padrões internacionais, assegurando qualidade e padronização.
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Oferecem sistemas essenciais como Koha e Biblivre, amplamente adotados no Brasil e no mundo.
O conhecimento sobre SIGB-SL é fundamental para bibliotecários e estudantes, pois permite atuação estratégica, econômica e tecnicamente competente. Dominar esses sistemas transforma o profissional em agente indispensável, capaz de gerenciar a informação com autonomia e alinhamento às demandas sociais e tecnológicas contemporâneas.
Ferramentas como o DSpace ainda possibilitam adaptações de acessibilidade, garantindo inclusão social e atendimento à diversidade de usuários.
Vantagens do Software Livre e razões para adotá-lo
Vale muito a pena dar uma chance aos SIGB-SL. Eles se destacam por reduzirem custos, oferecerem autonomia tecnológica e permitirem customização aprofundada.
1. Vantagens econômicas e inclusão tecnológica
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Custo zero de licenciamento.
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Solução viável para bibliotecas com orçamentos reduzidos, como instituições públicas.
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Supera a dificuldade de alocar recursos para softwares proprietários.
2. Funcionalidade, flexibilidade e autonomia
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Sistemas robustos, como Koha, DSpace e Biblivre, que oferecem módulos completos.
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Customização ilimitada graças ao acesso ao código-fonte.
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Compatibilidade com padrões internacionais (MARC21, Z39.50 e ISO 2709).
3. Aplicação estratégica — MMFDH como referência
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Integração de sistemas para acervos físicos e digitais.
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Transparência governamental com preservação da memória institucional via DSpace.
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Acessibilidade inclusiva e adequação às legislações brasileiras.
4. Desafios a considerar
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Falta de suporte oficial e escassez de documentação.
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Necessidade de equipe de TI especializada para implantação e manutenção.
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Possível necessidade de plugins ou customizações específicas.
Conclusão
Adotar Sistemas de Gestão de Bibliotecas em Software Livre vale a pena porque eles oferecem soluções completas, flexíveis e modernas, especialmente para instituições que buscam autonomia e eficiência orçamentária. Seu sucesso depende do planejamento institucional e da qualificação da equipe envolvida, aproveitando a liberdade do código-fonte para personalizar e manter o sistema de forma sustentável.
Fontes:
https://www.gov.br/ibict/pt-br/assuntos/tecnologias-para-a-informacao/koha
https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/243078
https://immes.edu.br/wp-content/uploads/2025/04/Artigo_MATIZ_2023_Software_Livre.pdf
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/120707/285798.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.repositorio.ufal.br/jspui/bitstream/123456789/13832/1/Elementos%20para%20seleção%20de%20software%20de%20bibliotecas_avaliação%20do%20software%20proprietário%20Pergamum%20e%20o%20software%20livre%20Biblivre%2C%20a%20partir%20dos%20seus%20sites.pdf
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FELISBERTO, Amanda Patrícia de Araújo; MOTA, Francisca Rosaline Leite. Elementos para seleção de software de bibliotecas: avaliação do software proprietário Pergamum e o software livre Biblivre, a partir dos seus sites. Siti, Maceió, v. 5, e127, 2023.

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