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Documento de Pesquisa nº 07 Arquivologia Computacional? Estamos apenas incorporando métodos computacionais ou assistindo ao nascimento de uma nova agenda científica?

 

PDS & Ged/A | Diário de Pesquisa

Documento de Pesquisa nº 07

Arquivologia Computacional?

Estamos apenas incorporando métodos computacionais ou assistindo ao nascimento de uma nova agenda científica?

10 de abril de 2026


🌎 Ciência Aberta

Os Diários de Pesquisa do Grupo PDS & Ged/A constituem um espaço permanente de Ciência Aberta dedicado ao compartilhamento de hipóteses, resultados parciais, agendas de pesquisa e reflexões sobre Arquivologia Digital. Nosso compromisso é documentar publicamente a evolução de nossas investigações, preservando não apenas os resultados alcançados, mas também as dúvidas, os debates e as hipóteses que continuam orientando nosso programa de pesquisa.


Quando uma pergunta começa a mudar de natureza

Ao longo dos últimos meses percorremos um caminho bastante consistente.

Discutimos a Preservação Digital Sistêmica.

Propusemos a ideia de Ecossistemas Arquivísticos Digitais.

Revisitamos o Modelo OAIS sob uma perspectiva arquivística.

Reinterpretamos a Cadeia de Custódia Digital Arquivística.

Refletimos sobre a identidade epistemológica do Grupo PDS & Ged/A e sobre a intersecção entre a tradição europeia da Arquivologia, as iSchools e a Computational Archival Science.

Ao final desse percurso percebemos algo inesperado.

Talvez já não estivéssemos apenas respondendo perguntas.

Talvez estivéssemos começando a formular novas perguntas.

E essas novas perguntas pareciam apontar para um horizonte ainda pouco explorado.

Seria possível falar em uma Arquivologia Computacional?

Ainda não sabemos.

Mas acreditamos que a pergunta merece ser investigada.


📓 Caderno de Laboratório

Abril de 2026

Durante uma das reuniões do Grupo surgiu uma pergunta aparentemente simples.

"Existe diferença entre utilizar métodos computacionais em pesquisas arquivísticas e construir uma Arquivologia Computacional?"

A sala permaneceu em silêncio por alguns instantes.

Não porque faltassem respostas.

Mas porque percebemos que nunca havíamos formulado essa distinção.

A pergunta permaneceu registrada no quadro durante toda a reunião.

Ao final, ninguém tentou respondê-la de forma definitiva.

Preferimos transformá-la em agenda de pesquisa.


A Computational Archival Science abriu um novo horizonte

Nos últimos anos a Computational Archival Science (CAS) consolidou-se internacionalmente como um importante espaço interdisciplinar.

Ela aproximou Arquivologia.

Ciência da Computação.

Ciência de Dados.

Inteligência Artificial.

Aprendizado de Máquina.

Visualização de Dados.

Análise de Redes.

Modelagem Computacional.

Essa aproximação ampliou significativamente as possibilidades metodológicas da pesquisa arquivística.

Mas nossas discussões começaram a sugerir algo mais.

Talvez a maior contribuição da CAS não esteja apenas na incorporação de novos métodos.

Talvez esteja na capacidade de produzir novas perguntas arquivísticas.

Essa diferença parece pequena.

Mas altera profundamente a natureza da investigação científica.


💡 Um dos nossos achados

Ao revisitarmos nossa produção científica percebemos que os métodos computacionais nunca ocuparam o centro de nossas pesquisas.

Eles sempre foram incorporados para responder a problemas arquivísticos previamente definidos.

Hoje começamos a perceber uma mudança.

Os próprios métodos computacionais passaram a revelar problemas arquivísticos que antes não eram visíveis.

Talvez este seja um dos resultados mais interessantes de nossa agenda de pesquisa.


Quando os métodos começam a produzir novas perguntas

Durante muito tempo utilizamos tecnologias para responder perguntas já conhecidas.

Como preservar documentos digitais?

Como garantir autenticidade?

Como representar contexto?

Como manter a continuidade documental?

Hoje surgem perguntas diferentes.

Como modelos de Inteligência Artificial interpretam contexto arquivístico?

Como agentes inteligentes preservam relações de proveniência?

Como modelos vetoriais representam vínculos orgânicos entre documentos?

Como ecossistemas digitais reorganizam cadeias de custódia?

Como algoritmos podem fortalecer — ou fragilizar — a confiança nos documentos de arquivo?

Essas perguntas dificilmente surgiriam sem o diálogo entre Arquivologia e Computação.


🔬 Um resultado inesperado do Seminário

Ao analisarmos nossos próprios conceitos percebemos que praticamente todos eles passaram a dialogar naturalmente com abordagens computacionais.

A Cadeia de Custódia Digital Arquivística passou a ser interpretada também como uma rede dinâmica de responsabilidades.

Os Ecossistemas Arquivísticos Digitais aproximaram-se da teoria dos sistemas complexos.

A Preservação Digital Sistêmica passou a dialogar com arquiteturas distribuídas e modelos de governança algorítmica.

A recuperação da informação começou a incorporar representações vetoriais, modelos semânticos e Inteligência Artificial.

Talvez não estejamos apenas utilizando novos instrumentos.

Talvez estejamos observando uma nova etapa da própria investigação arquivística.


Uma hipótese parcialmente refutada

No início de nossas discussões imaginávamos que a Inteligência Artificial responderia boa parte dos desafios arquivísticos.

Hoje percebemos que essa hipótese era simplificadora.

A Inteligência Artificial respondeu algumas questões.

Mas formulou muitas outras.

Quanto mais compreendemos seus potenciais, mais percebemos a necessidade de fortalecer princípios arquivísticos relacionados à autenticidade, ao contexto, à proveniência, à evidência e à continuidade institucional.

Nossa hipótese inicial precisou ser reformulada.

As tecnologias não substituem os fundamentos arquivísticos.

Elas tornam esses fundamentos ainda mais necessários.


🤔 Uma discussão que permanece aberta

Durante o Seminário também surgiu uma questão importante.

Devemos compreender a Arquivologia Computacional como um novo campo científico?

Ou apenas como uma agenda interdisciplinar dentro da Arquivologia?

Ainda não possuímos elementos suficientes para responder.

Mas talvez a própria pergunta seja mais importante do que uma resposta precipitada.

Seguiremos investigando.


Talvez estejamos observando uma nova agenda científica

Ainda é cedo para afirmar que existe uma Arquivologia Computacional.

Entretanto, alguns indícios começam a chamar nossa atenção.

Existe um conjunto relativamente estável de perguntas.

Há problemas recorrentes.

Métodos compartilhados.

Objetos comuns.

Pesquisadores dialogando internacionalmente.

Projetos colaborativos.

Integração entre Arquivologia, Ciência da Informação, Ciência da Computação e Ciência de Dados.

Talvez estejamos assistindo ao surgimento de uma nova agenda científica.

Se essa hipótese se confirmar, ela não representará uma ruptura com a Arquivologia.

Representará uma evolução natural de sua capacidade investigativa.


🌱 Uma hipótese em construção

Começamos nosso Seminário acreditando que investigaríamos o impacto das tecnologias digitais sobre os arquivos.

Hoje começamos a perceber outra possibilidade.

Talvez estejamos investigando como os próprios fundamentos da Arquivologia reorganizam criticamente o desenvolvimento das tecnologias digitais.

Essa hipótese continuará orientando nossos próximos Documentos de Pesquisa.


🧭 Agenda de Pesquisa

Ao final da reunião decidimos registrar algumas perguntas que deverão orientar nossas investigações nos próximos meses.

  • Como a Inteligência Artificial pode representar o contexto arquivístico sem comprometer a autenticidade documental?

  • De que maneira modelos vetoriais podem preservar relações orgânicas entre documentos?

  • Como agentes inteligentes poderão atuar respeitando Cadeias de Custódia Digitais Arquivísticas?

  • Quais características distinguem Ecossistemas Arquivísticos Digitais de outras arquiteturas informacionais complexas?

  • Estamos observando apenas novas metodologias ou o surgimento de uma Arquivologia Computacional?

Essas perguntas não encerram nossa pesquisa.

Ao contrário.

Marcam o início de uma nova etapa.


Seguimos aprendendo

Talvez a maior contribuição deste Documento de Pesquisa não esteja nas respostas apresentadas.

Mas na compreensão de que novas agendas científicas costumam nascer exatamente assim.

Não por decisões formais.

Nem por decretos epistemológicos.

Elas surgem quando pesquisadores começam a formular perguntas que antes simplesmente não existiam.

Talvez seja exatamente esse o momento que estamos vivendo.

Ainda não sabemos quais respostas encontraremos.

Mas acreditamos que vale a pena documentar esse percurso desde o início.


💬 Vamos continuar esta conversa?

Na sua experiência acadêmica ou profissional,

você acredita que estamos apenas incorporando métodos computacionais à Arquivologia ou percebe o surgimento de uma nova agenda científica internacional?

Quais perguntas considera mais importantes para orientar essa discussão?

Compartilhe sua experiência.

Talvez ela também passe a integrar os próximos Diários de Pesquisa.


📅 Próximo Documento de Pesquisa

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25 de abril de 2026

A pesquisa continua.

E esperamos continuar construindo esse conhecimento com você.

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