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ACURÁCIA TERMINOLÓGICA NA ERA DIGITAL: REFLEXÕES SOBRE A DICOTOMIA "ANALÓGICO" VERSUS "NÃO DIGITAL" EM DOCUMENTOS E INFORMAÇÃO (Resultado da Reunião de Pesquisa do Grupo CNPq 2º Semestre/2024)

 ACURÁCIA TERMINOLÓGICA NA ERA DIGITAL: REFLEXÕES SOBRE A DICOTOMIA "ANALÓGICO" VERSUS "NÃO DIGITAL" EM DOCUMENTOS E INFORMAÇÃO (Resultado da Reunião de Pesquisa do Grupo CNPq 2º Semestre/2024)


Título do artigo: Acurácia Terminológica na Era Digital: Análise Crítica dos Termos "Analógico" versus "Não Digital"

Pesquisadores do Grupo de Pesquisa CNPq UFAL - Preservação Digital Sistêmica (PDS)
Universidade Federal de Alagoas

Resumo

Este artigo discute a precisão terminológica entre os termos "analógico" e "não digital" no contexto da Arquivologia e da Ciência da Informação. A partir de uma revisão normativa, bibliográfica e epistemológica, argumenta-se que o termo "analógico" possui maior densidade conceitual e operativa, ao passo que "não digital" é uma negação pouco informativa. São analisadas implicações técnicas, normativas e filosóficas, visando fundamentar a escolha por uma nomenclatura mais precisa, especialmente nas práticas de gestão e preservação documental.

Palavras-chave: Terminologia; Documento; Analógico; Digital; Arquivologia.

1. Introdução

A discussão terminológica na Arquivologia tem se intensificado à medida que os ambientes digitais reconfiguram as práticas de produção, gestão e preservação documental. Nesse contexto, o Grupo de Pesquisa CNPq UFAL PDS (Preservação Digital Sistêmica), em seus seminários semestrais, tem desenvolvido reflexões sobre a acurácia conceitual da terminologia adotada em documentos arquivísticos. Este artigo é resultado consolidado da etapa de pesquisa do segundo semestre de 2025, com foco específico na dicotomia "analógico" versus "não digital".

2. Fundamentos Teóricos e Epistemológicos

O termo "analógico" tem origem no grego "analogos" e remete à correspondência proporcional e à continuidade, sendo amplamente aceito na engenharia, nas ciências cognitivas e nas teorias da comunicação (Cunha, 1982; Stallings, 2017). Sua aplicação ao campo arquivístico está associada à materialidade do suporte, aos modos de representação não discretos e à necessidade de processos específicos de conservação.

A construção "não digital", por sua vez, é um exemplo de negação linguística que não define positivamente o conceito ao qual se refere (Sager, 1990; Cabré, 1999). Sua ampla utilização em documentos normativos e cotidianos revela a consolidação de um paradigma digital-cêntrico (Floridi, 2011), no qual a ausência do digital se torna critério definidor, o que fragiliza o entendimento conceitual dos suportes informacionais.

3. Análise Normativa: Documentos Digitais e a Invisibilidade do Analógico

As Resoluções do CONARQ nº 39/2014, 43/2015 e 51/2023 tratam de diretrizes para a digitalização e gestão de documentos digitais. Nenhuma dessas normas menciona explicitamente o termo "analógico", mas utilizam expressões como "documento não digital" ou fazem referência indireta a documentos em papel ou físicos. A ausência de uma terminologia afirmativa para esse conjunto documental pode comprometer políticas de preservação específicas, dado que documentos analógicos requerem condições distintas de conservação.

4. Implicações Conceituais e Profissionais

A nomenclatura "não digital" tende a invisibilizar as características ontológicas dos documentos analógicos. Como argumenta Bowker e Star (1999), as classificações tênues e mal definidas afetam diretamente a gestão da informação. No campo arquivístico, esse tipo de imprecisão impacta desde os planos de digitalização até a criação de metadados, comprometendo também a cadeia de custódia e a autenticidade dos registros.

Por outro lado, autores como Hamill (2013) e Jardim (2021) enfatizam que a compreensão das funções documentais deve considerar os diferentes regimes tecnológicos. Isso inclui reconhecer que documentos analógicos não são meros predecessores do digital, mas suportes legítimos com dinâmicas próprias.

5. Considerações Finais

A adoção do termo "analógico" em substituição à expressão "não digital" representa não apenas uma precisão linguística, mas um compromisso com a acurácia conceitual no campo arquivístico. É uma escolha terminológica que repercute na construção do conhecimento, nas boas práticas de gestão documental e na elaboração de políticas públicas eficazes de preservação.

O Grupo de Pesquisa PDS reafirma a necessidade de se adotar nomenclaturas que expressem positivamente a natureza dos documentos e de seus suportes, contribuindo para o fortalecimento da ciência arquivística.

Referências

Bowker, G. C., & Star, S. L. (1999). Sorting Things Out: Classification and Its Consequences. Cambridge: MIT Press.

Cabré, M. T. (1999). Terminology: Theory, Methods and Applications. Amsterdam: John Benjamins.

Cunha, A. G. (1982). Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Floridi, L. (2011). The Philosophy of Information. Oxford: Oxford University Press.

Hamill, L. (2013). Archival Arrangement and Description: Analog to Digital. Rowman & Littlefield.

Jardim, J. M. (2021). Arquivística entre o conceitual e o funcional. Rio de Janeiro: EdUERJ.

Sager, J. C. (1990). A Practical Course in Terminology Processing. Amsterdam: John Benjamins.

Stallings, W. (2017). Data and Computer Communications (10th ed.). Boston: Pearson.

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