Projetos de acervos financiados pela FINEP: por que usar o AtoM e depois integrar com a Brasiliana Museus
Projetos de acervos financiados pela FINEP: por que usar o AtoM e depois integrar com a Brasiliana Museus
Nos últimos anos, os editais da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos voltados à recuperação, preservação e difusão de acervos científicos e culturais têm impulsionado uma série de projetos em universidades, museus, arquivos, bibliotecas e centros de memória em todo o Brasil.
Esses projetos normalmente incluem atividades como:
identificação e organização de acervos
catalogação e descrição documental
digitalização
criação de bases de dados
disponibilização pública online
Além disso, muitos editais recomendam ou incentivam que os dados produzidos sejam integrados a plataformas nacionais de difusão, como a Brasiliana Museus, ampliando o acesso público ao patrimônio documental brasileiro.
Nesse contexto, surge uma pergunta prática para muitas equipes de projeto:
qual sistema utilizar para organizar e publicar esses acervos digitais?
Uma solução extremamente adequada — e ainda pouco explorada em projetos no Brasil — é o AtoM (Access to Memory).
O que é o AtoM (Access to Memory)
O AtoM – Access to Memory é um software livre desenvolvido originalmente pelo International Council on Archives (ICA) para descrição e difusão de acervos arquivísticos.
Principais características:
software 100% livre e gratuito
código aberto
desenvolvido especificamente para arquivos e centros de documentação
baseado em padrões internacionais de descrição arquivística
acesso web para pesquisadores e público
O sistema permite descrever acervos seguindo uma estrutura hierárquica clássica:
fundo
subfundo
série
subsérie
dossiê
item
Essa estrutura é fundamental para acervos arquivísticos e muitas vezes não é bem suportada por repositórios bibliográficos tradicionais.
Por que o AtoM é ideal para projetos financiados pela FINEP
Os editais de acervos normalmente exigem ou incentivam:
organização técnica do acervo
descrição estruturada
digitalização
disponibilização online
uso de padrões interoperáveis
O AtoM atende perfeitamente a esses requisitos.
Entre suas principais vantagens:
1. Software livre (sem custo de licença)
Projetos financiados com recursos públicos precisam considerar sustentabilidade tecnológica.
O AtoM:
não possui custos de licença
pode ser instalado em servidores institucionais
possui comunidade internacional ativa
Isso reduz custos e aumenta a autonomia institucional.
2. Uso de padrões internacionais
O AtoM implementa diversos padrões arquivísticos, entre eles:
ISAD(G)
ISAAR(CPF)
ISDIAH
ISDF
Além disso, permite exportar metadados em formatos amplamente utilizados, como:
Dublin Core
EAD
CSV
MODS
Isso facilita a interoperabilidade com outros sistemas e plataformas nacionais.
3. Integração com objetos digitais
O sistema permite anexar diretamente:
imagens digitalizadas
PDFs
documentos textuais
vídeos
registros sonoros
Ou seja, o AtoM pode funcionar tanto como sistema de descrição arquivística quanto como portal público de acesso ao acervo digitalizado.
Integração com a Brasiliana Museus
Diversos editais da FINEP incentivam a integração dos dados dos projetos com plataformas nacionais de acesso ao patrimônio cultural, como a Brasiliana Museus.
A Brasiliana funciona como um agregador nacional de acervos digitais, reunindo dados provenientes de diversas instituições brasileiras.
Isso significa que:
cada instituição mantém seu sistema local
os metadados são exportados e integrados ao portal nacional
Nesse cenário, o AtoM pode funcionar como a plataforma institucional de gestão e descrição do acervo, enquanto a Brasiliana atua como plataforma agregadora de acesso público ampliado.
Fluxo recomendado para projetos de acervos
Uma arquitetura simples e eficiente pode seguir o seguinte modelo:
Organização e digitalização do acervo
↓
Descrição arquivística no AtoM
↓
Publicação online do acervo
↓
Exportação de metadados
↓
Integração com Brasiliana Museus
Esse modelo permite:
organização arquivística adequada
preservação da estrutura do acervo
difusão nacional do conteúdo
AtoM também pode dialogar com acervos bibliográficos
Embora seja voltado originalmente para arquivos, o AtoM pode trabalhar com diferentes esquemas de metadados.
Entre os formatos possíveis estão:
Dublin Core
MODS
RAD
EAD
Isso significa que instituições com acervos híbridos (arquivos, bibliotecas e coleções especiais) também podem utilizar o sistema.
Em muitos centros de memória, essa flexibilidade é extremamente útil.
Por que considerar o AtoM nos projetos em andamento
Muitos projetos atualmente utilizam plataformas como:
repositórios institucionais
sistemas de bibliotecas digitais
bancos de dados locais
Embora úteis, esses sistemas nem sempre são ideais para representar estruturas arquivísticas complexas.
O AtoM foi desenvolvido exatamente para esse tipo de acervo.
Portanto, projetos financiados pela FINEP que estão:
organizando arquivos pessoais
estruturando centros de memória
digitalizando acervos históricos
criando portais de acesso
podem se beneficiar enormemente da adoção dessa plataforma.
Conclusão
Os projetos de recuperação e preservação de acervos financiados pela FINEP representam uma oportunidade única para fortalecer a infraestrutura de memória científica e cultural no Brasil.
Nesse contexto, a adoção de soluções tecnológicas adequadas é fundamental.
O AtoM (Access to Memory) oferece uma combinação rara de vantagens:
software livre
padrões arquivísticos internacionais
publicação web nativa
interoperabilidade de metadados
Utilizado como sistema institucional de gestão e descrição de acervos, e integrado posteriormente à Brasiliana Museus, ele pode contribuir significativamente para ampliar o acesso, a preservação e a visibilidade do patrimônio documental brasileiro.
Para equipes que estão atualmente desenvolvendo projetos financiados pela FINEP, vale a pena considerar essa arquitetura tecnológica desde já.
A memória brasileira agradece.
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