Resultados do Seminário do Grupo CNPq UFAL PDS & Ged/A: Transparência Ativa, Preservação Digital Sistêmica, AtoM, IA e os Novos Lugares de Memória Digital
Resultados do Seminário do Grupo CNPq UFAL PDS & Ged/A:
Transparência Ativa, Preservação Digital Sistêmica, AtoM, IA e os Novos Lugares de Memória Digital
Por Grupo de Pesquisa CNPq UFAL PDS & Ged/A — Preservação Digital Sistêmica e Gestão Arquivística
O Seminário de Encerramento do 1º semestre de 2025 do Grupo de Pesquisa CNPq UFAL PDS & Ged/A consolidou nossas discussões sobre um marco conceitual, metodológico e tecnológico para a Arquivologia Digital no Brasil. As discussões e resultados apresentados reforçaram a necessidade de tratar a preservação digital, o acesso arquivístico, a transparência ativa e o uso de Inteligência Artificial (IA) como partes integrantes de um mesmo sistema, e não como iniciativas isoladas.
A seguir, apresentamos uma síntese ampliada dos principais eixos debatidos no seminário, com o objetivo de socializar os avanços e ampliar o diálogo com instituições arquivísticas, pesquisadores, gestores públicos e profissionais da informação.
Preservação Digital Sistêmica (PDS): da fragmentação à integração
Um dos consensos do seminário foi a centralidade da Preservação Digital Sistêmica (PDS) como abordagem capaz de superar a fragmentação histórica entre produção, gestão, preservação e acesso a documentos digitais. A PDS compreende a preservação como um processo transversal, que se inicia na produção e se estende até o uso social da informação, integrando políticas, normas, sistemas, pessoas e tecnologias.
Essa abordagem reforça que a confiabilidade da informação arquivística não depende apenas de repositórios de preservação, mas da articulação contínua entre custódia, contexto, descrição, acesso e preservação, assegurando a integridade dos documentos e sua capacidade de servir como prova, memória e instrumento de cidadania.
Autenticidade arquivística e InterPARES: identidade, integridade e dependências estruturantes
O seminário reafirmou a importância dos referenciais do InterPARES para a compreensão da autenticidade em ambientes digitais. A autenticidade foi discutida como resultante de dois componentes essenciais — identidade e integridade — sustentados por dependências estruturantes, como custódia, preservação e transmissão no tempo.
Essa perspectiva permite compreender que a autenticidade não é garantida apenas no momento da ingestão ou da preservação, mas deve ser mantida e demonstrada também no momento do acesso, quando os documentos são consultados, reutilizados e circulam socialmente.
OAIS, RDC-Arq e a abordagem sistêmica das plataformas
Outro eixo central foi o aprofundamento do Modelo de Referência OAIS e sua aplicação ao contexto brasileiro por meio do RDC-Arq. O seminário destacou a importância de compreender o OAIS como um modelo sistêmico, no qual diferentes entidades desempenham papéis complementares.
Nessa abordagem, discutiu-se a articulação entre:
plataformas de preservação digital, responsáveis por garantir a integridade e a manutenção a longo prazo dos objetos digitais;
plataformas de acesso e transparência ativa, responsáveis por viabilizar a difusão, o uso e o reuso da informação arquivística.
Essa integração foi apresentada como condição fundamental para a consolidação da cadeia de custódia digital arquivística plena, na qual o acesso não rompe, mas fortalece a confiabilidade da informação.
AtoM como plataforma de acesso, transparência ativa e lugar de memória digital
Um dos pontos mais acalorados e de muita discussão do seminário foi a consolidação do Access to Memory (AtoM) como plataforma estratégica de acesso arquivístico, transparência ativa e construção de lugares de memória digital. Para além de seu uso instrumental, o AtoM foi discutido como infraestrutura arquivística, orientada por princípios de proveniência, contexto, descrição normalizada e acesso público qualificado.
Nesse sentido, o AtoM foi ressignificado como espaço no qual os arquivos se tornam não apenas acessíveis, mas socialmente significativos, contribuindo para a construção da memória coletiva, para a efetividade das políticas de transparência e para o fortalecimento da cidadania informacional.
Inteligência Artificial, RAG e a superação da “teoria do iceberg” nos arquivos
O seminário também abordou criticamente o uso de Inteligência Artificial (IA) e de RAG (Retrieval-Augmented Generation) em ambientes arquivísticos. Foi amplamente discutido o problema da chamada “teoria do iceberg”, segundo a qual grande parte da informação arquivística permanece invisível às IAs por não estar estruturada em padrões reutilizáveis, com metadados consistentes e acesso sistematizado.
Nesse contexto, o AtoM, apoiado em mecanismos de indexação, busca e interoperabilidade, foi apresentado como plataforma capaz de tornar os arquivos reutilizáveis por IA de forma ética, auditável e confiável, desde que o uso dessas tecnologias seja subordinado a requisitos arquivísticos explícitos, garantindo explicabilidade, rastreabilidade e preservação do contexto.
O grupo destacou que a IA não deve substituir princípios arquivísticos, mas atuar como camada auxiliar de descoberta, contextualização e ampliação do acesso, fortalecendo — e não fragilizando — a autenticidade e a cadeia de custódia.
Software livre como política pública para arquivos e Unidades de Informação
Outro eixo estruturante foi o papel do software livre como política pública para arquivos e Unidades de Informação. O seminário reafirmou que plataformas abertas favorecem:
transparência e auditabilidade;
soberania informacional;
sustentabilidade tecnológica;
formação de competências locais;
redução de dependências proprietárias.
Nesse sentido, a adoção de plataformas abertas para preservação e acesso foi apresentada como estratégia essencial para a consolidação de políticas públicas de informação, memória e transparência.
Formação, cooperação e fortalecimento da comunidade científica
Por fim, o seminário destacou a importância da formação de recursos humanos, da cooperação acadêmica e da nucleação de pesquisas no campo da Arquivologia Digital. O Grupo CNPq UFAL PDS & Ged/A reafirmou seu compromisso com:
a realização de workshops técnicos e científicos;
a integração com programas de pós-graduação;
a oferta de atividades formativas;
a consolidação de redes de cooperação com instituições arquivísticas.
Essas ações visam fortalecer uma comunidade científica capaz de enfrentar, de forma crítica e inovadora, os desafios da preservação, do acesso e do uso social da informação em ambientes digitais complexos.
Considerações finais
O Seminário de Encerramento do 1º semestre de 2025 reafirmou que preservação, acesso, transparência ativa, memória digital e IA não são dimensões separadas, mas componentes de um mesmo ecossistema arquivístico. Ao integrar fundamentos teóricos, metodologias e plataformas em software livre, o Grupo CNPq UFAL PDS & Ged/A consolida uma agenda de pesquisa orientada à confiabilidade da informação, à construção de lugares de memória digital e ao fortalecimento da cidadania informacional no Brasil.
Prof. Daniel Flores - Grupo CNPq UFAL PDS & Ged/A - Documentos Digitais
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