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Documento de Pesquisa nº 06 Entre a Arquivologia, as iSchools e a Computational Archival Science Como nossa agenda de pesquisa começou a construir uma intersecção entre tradições científicas aparentemente distintas

 

PDS & Ged/A | Diário de Pesquisa

Documento de Pesquisa nº 06

Entre a Arquivologia, as iSchools e a Computational Archival Science

Como nossa agenda de pesquisa começou a construir uma intersecção entre tradições científicas aparentemente distintas

25 de março de 2026


🌎 Ciência Aberta

Os Diários de Pesquisa do Grupo PDS & Ged/A constituem um espaço permanente de Ciência Aberta dedicado ao compartilhamento de hipóteses, resultados parciais, reflexões, agendas de pesquisa e debates científicos em Arquivologia Digital. Nosso propósito é tornar transparente o próprio processo de construção do conhecimento, permitindo que pesquisadores, profissionais, estudantes e a sociedade acompanhem a evolução das ideias, contribuam com novas perspectivas e participem da construção coletiva da ciência.


Uma reunião diferente das anteriores

No início de março realizamos mais uma reunião do nosso Seminário Permanente de Pesquisa.

Desta vez, entretanto, aconteceu algo que alterou significativamente o rumo das discussões.

Além dos pesquisadores do Grupo PDS & Ged/A, contamos com a participação remota de colegas de diferentes instituições, por meio do Google Meet.

As contribuições foram extremamente ricas.

Mas talvez o mais importante tenha sido perceber que muitos participantes identificavam uma característica comum em nossa produção científica que nós próprios ainda não havíamos formulado de maneira suficientemente clara.

Diversos comentários convergiam para uma mesma percepção.

Nossa agenda de pesquisa parecia ocupar um espaço bastante singular dentro da Ciência da Informação contemporânea.

Não representava simplesmente uma continuidade da tradição europeia da Arquivologia.

Também não reproduzia integralmente a tradição das iSchools.

Ao contrário.

Parecia construir uma intersecção entre essas duas formas de compreender a Ciência da Informação.

Essa observação transformou completamente nossa reunião.


📓 Caderno de Laboratório

Março de 2026

Em determinado momento da reunião, um dos pesquisadores externos comentou:

"Talvez o aspecto mais original do trabalho desenvolvido pelo Grupo seja justamente o fato de conseguir dialogar profundamente com a Ciência de Dados, a Inteligência Artificial, a Computação e a Computational Archival Science sem deslocar a Arquivologia do centro da discussão."

A frase permaneceu ecoando durante toda a reunião.

Ao final, percebemos que ela sintetizava uma característica que vinha se consolidando ao longo de muitos anos de pesquisa.


A Arquivologia nunca deixou de ocupar o centro

Ao longo das últimas décadas incorporamos novas tecnologias, novos referenciais e novas metodologias.

Passamos a discutir Inteligência Artificial.

Aprendizado de Máquina.

Grandes Modelos de Linguagem.

Modelos Vetoriais.

Recuperação da Informação.

Representação do Conhecimento.

Ciência de Dados.

Computação em Nuvem.

Computational Archival Science.

À primeira vista, alguém poderia imaginar que nossa agenda de pesquisa estivesse migrando progressivamente da Arquivologia para a Computação.

Entretanto, durante o Seminário percebemos exatamente o contrário.

Quanto mais incorporávamos métodos computacionais, mais evidente se tornava que nossas perguntas continuavam sendo profundamente arquivísticas.

Como preservar autenticidade?

Como garantir continuidade documental?

Como preservar contexto?

Como manter relações de proveniência?

Como fortalecer a governança documental?

As tecnologias mudavam.

As perguntas permaneciam.

E talvez seja exatamente isso que explique a identidade científica construída pelo Grupo ao longo desses anos.


💡 Um dos nossos achados

Ao revisitarmos nossa produção científica percebemos que nunca utilizamos tecnologias digitais como um fim em si mesmas.

Sempre procuramos compreender de que maneira essas tecnologias poderiam responder a problemas tradicionalmente arquivísticos.

Talvez esse seja um dos traços mais característicos de nossa agenda de pesquisa.

A Computação amplia nossas possibilidades metodológicas.

Mas continua sendo a Arquivologia que formula as perguntas fundamentais.


A intersecção não significa abandonar tradições

Durante muitos anos a Arquivologia latino-americana foi profundamente influenciada pela tradição europeia.

Uma tradição construída em torno de princípios como proveniência, organicidade, autenticidade, contexto, custódia e preservação.

Esses fundamentos continuam orientando nossas pesquisas.

Ao mesmo tempo, o crescimento das iSchools trouxe novas perspectivas para a Ciência da Informação.

Interdisciplinaridade.

Métodos computacionais.

Ciência de Dados.

Interação Humano-Computador.

Aprendizado de Máquina.

Inteligência Artificial.

Computational Social Science.

Computational Archival Science.

A reunião de março permitiu perceber algo importante.

Nossa agenda de pesquisa não escolheu entre essas duas tradições.

Passou a dialogar com ambas.

Sem abandonar nenhuma delas.

Talvez esse seja um dos aspectos mais originais de nossa trajetória.


🔬 Um resultado inesperado do Seminário

Ao analisarmos os principais conceitos desenvolvidos pelo Grupo percebemos que todos eles dialogavam naturalmente com essa perspectiva de intersecção.

A Cadeia de Custódia Digital Arquivística continua explicando a continuidade documental.

A Preservação Digital Sistêmica organiza a arquitetura institucional.

Os Ecossistemas Arquivísticos Digitais ampliam a compreensão dos ambientes documentais.

A releitura arquivística do Modelo OAIS integra funções preservacionais aos princípios arquivísticos.

A Computational Archival Science amplia nossa capacidade analítica por meio de métodos computacionais.

Nenhum desses conceitos substitui os demais.

Todos se fortalecem mutuamente.

Talvez estejamos observando a consolidação de um único programa de pesquisa.


A Computational Archival Science apareceu como consequência, e não como ponto de partida

Esta talvez tenha sido uma das conclusões mais interessantes da reunião.

Em nenhum momento decidimos "adotar" a Computational Archival Science.

Ela surgiu naturalmente.

À medida que nossas pesquisas passaram a lidar com grandes volumes de documentos digitais, metadados, preservação digital, Inteligência Artificial, modelos vetoriais, recuperação semântica da informação e ecossistemas documentais, tornou-se evidente que métodos computacionais poderiam ampliar significativamente nossas possibilidades de investigação.

Mas essa aproximação ocorreu de maneira bastante particular.

Não passamos a formular perguntas computacionais.

Continuamos formulando perguntas arquivísticas.

A diferença é que agora dispomos de novos instrumentos para respondê-las.

Talvez essa seja a principal contribuição da Computational Archival Science para nossa agenda de pesquisa.

Ela não substitui a Arquivologia.

Ela amplia sua capacidade investigativa.


🤔 Uma hipótese que foi parcialmente abandonada

No início do Seminário trabalhávamos com uma hipótese relativamente simples.

Imaginávamos que a transformação digital conduziria progressivamente a Arquivologia para uma Ciência da Informação cada vez mais tecnológica.

As discussões dos últimos meses mostraram outra realidade.

Quanto mais avançávamos em direção às tecnologias computacionais, maior se tornava a necessidade de fortalecer os fundamentos arquivísticos.

A hipótese inicial, portanto, precisou ser reformulada.

Hoje acreditamos que o avanço tecnológico não reduz a importância da Arquivologia.

Ao contrário.

Torna seus fundamentos ainda mais necessários.


Talvez estejamos construindo uma agenda científica de intersecção

Ao final da reunião começamos a formular uma hipótese que continuará orientando nossas pesquisas.

Talvez não estejamos aproximando a Arquivologia da Computação.

Talvez estejamos aproximando a Computação das perguntas arquivísticas.

A diferença parece sutil.

Mas modifica profundamente nossa forma de compreender esse diálogo interdisciplinar.

Não se trata de informatizar a Arquivologia.

Muito menos de arquivizar a Computação.

Trata-se de construir um espaço de intersecção no qual os métodos computacionais ampliam nossa capacidade de compreender fenômenos arquivísticos, enquanto os fundamentos da Arquivologia oferecem às tecnologias um referencial teórico sólido para interpretar documentos, contexto, autenticidade, preservação e continuidade institucional.

Talvez seja exatamente essa intersecção que explique a identidade científica do Grupo PDS & Ged/A.


🌱 Uma hipótese em construção

Começamos este Seminário acreditando que nossa agenda de pesquisa aproximava Arquivologia e Computação.

Hoje começamos a perceber que talvez estejamos contribuindo para algo maior.

A construção de uma agenda científica capaz de integrar a tradição europeia da Arquivologia, a interdisciplinaridade característica das iSchools e os métodos da Computational Archival Science, preservando, em todos os momentos, o protagonismo epistemológico da Arquivologia.

Ainda é cedo para afirmar isso de maneira definitiva.

Mas essa hipótese continuará orientando nossos próximos Documentos de Pesquisa.


Seguimos aprendendo

Talvez uma das maiores contribuições da reunião de março tenha sido permitir que olhássemos para nossa própria trajetória com algum distanciamento.

Percebemos que nossas pesquisas nunca caminharam em direção ao abandono da Arquivologia.

Caminharam em direção ao fortalecimento de seus fundamentos, justamente porque passaram a dialogar com problemas cada vez mais complexos.

Isso nos levou a compreender que a inovação não depende de substituir tradições científicas.

Depende de criar pontes entre elas.

Talvez seja exatamente isso que estejamos aprendendo a fazer.


💬 Vamos continuar esta conversa?

Na sua experiência acadêmica ou profissional, você percebe uma aproximação crescente entre a Arquivologia e os métodos computacionais?

Essa aproximação fortalece a identidade da Arquivologia ou corre o risco de diluí-la?

Como você enxerga o papel da Computational Archival Science nesse cenário?

Gostaríamos muito de conhecer sua opinião.

Talvez ela também ajude a orientar as próximas etapas desta pesquisa.


📅 Próximo Documento de Pesquisa

Arquivologia Computacional? Uma hipótese para a próxima década

Será que estamos apenas utilizando novos métodos computacionais na Arquivologia ou começamos a assistir ao surgimento de uma nova agenda científica internacional?

10 de abril de 2026

A pesquisa continua.

E esperamos continuar construindo esse conhecimento com você.

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