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Documento de Pesquisa nº 03 Ecossistemas Arquivísticos Digitais Por que preservar documentos significa preservar relações, e não apenas sistemas?

 

PDS & Ged/A | Diário de Pesquisa

Documento de Pesquisa nº 03

Ecossistemas Arquivísticos Digitais

Por que preservar documentos significa preservar relações, e não apenas sistemas?

10 de fevereiro de 2026


🌎 Ciência Aberta

Os Diários de Pesquisa do Grupo PDS & Ged/A constituem um espaço permanente de Ciência Aberta dedicado ao compartilhamento de hipóteses, reflexões, resultados parciais e agendas de investigação em Arquivologia Digital. Mais do que divulgar resultados concluídos, queremos tornar transparente o próprio processo de construção do conhecimento científico, convidando pesquisadores, profissionais, estudantes e a sociedade a participarem dessa conversa.


Bem-vindos novamente ao nosso laboratório de pesquisa

Nos dois primeiros Documentos de Pesquisa conversamos sobre duas ideias que passaram a orientar nossas discussões durante o Seminário Permanente de Pesquisa realizado entre 2025 e 2026.

Primeiro perguntamos se a transformação digital realmente modificou os fundamentos da Arquivologia ou apenas tornou mais explícitos problemas que sempre acompanharam a disciplina.

Depois voltamos nossa atenção para a Preservação Digital Sistêmica.

Ao longo daquela conversa percebemos que preservar documentos digitais nunca foi apenas um desafio tecnológico.

Preservar depende de instituições.

Depende de pessoas.

Depende de políticas.

Depende de governança.

Depende de responsabilidades claramente assumidas.

Quando encerramos aquele texto percebemos que havia surgido uma nova pergunta.

Se a preservação depende da interação permanente entre tantos componentes diferentes, ainda faz sentido imaginar que tudo acontece dentro de um único sistema?

Foi exatamente dessa inquietação que nasceu este novo Documento de Pesquisa.


📓 Caderno de Laboratório

Novembro de 2025

Em uma das reuniões do Seminário alguém comentou:

"Talvez estejamos insistindo em estudar sistemas quando, na prática, as instituições já funcionam como ecossistemas."

Naquele momento ninguém tinha certeza do alcance dessa observação.

Anotamos a frase.

Seguimos discutindo.

Meses depois percebemos que ela havia mudado completamente nossa forma de compreender os ambientes arquivísticos digitais.


Durante muitos anos pensamos em sistemas

Quem trabalha com documentos digitais está acostumado a utilizar essa palavra.

Sistema de gestão arquivística.

Sistema de negócios.

Sistema de protocolo.

Sistema de preservação.

Sistema de acesso.

Cada um parece possuir uma função específica.

Durante muitos anos essa forma de pensar foi suficiente.

Os documentos eram produzidos em um sistema.

Transferidos para outro.

Preservados em um terceiro.

Consultados em um quarto.

Tudo parecia relativamente organizado.

Mas, pouco a pouco, essa imagem começou a perder força.

Os documentos passaram a circular entre diferentes plataformas.

Serviços em nuvem passaram a participar da gestão documental.

Novas aplicações surgiram continuamente.

A Inteligência Artificial começou a produzir, interpretar e apoiar atividades documentais.

As fronteiras entre sistemas tornaram-se cada vez menos evidentes.

Foi nesse momento que começamos a perceber que talvez estivéssemos observando apenas partes de uma realidade muito maior.


💡 Um dos nossos achados

Durante anos utilizamos a expressão ambiente digital quase como sinônimo de sistema.

Hoje essa associação nos parece limitada.

Os documentos arquivísticos não vivem dentro de um único sistema.

Vivem em uma rede permanente de relações entre pessoas, processos, políticas, tecnologias e instituições.

Talvez seja exatamente isso que chamamos de Ecossistema Arquivístico Digital.


O documento nunca esteve sozinho

Quanto mais avançávamos nas discussões, mais evidente se tornava uma constatação.

Os documentos nunca existiram isoladamente.

Sempre dependeram de relações.

Relações com seus produtores.

Com suas funções.

Com suas atividades.

Com outros documentos.

Com políticas institucionais.

Com responsabilidades administrativas.

Talvez a Arquivologia sempre tenha estudado ecossistemas.

A diferença é que, durante muitos anos, chamamos essas relações por outros nomes.

Chamamos de proveniência.

Chamamos de organicidade.

Chamamos de contexto.

Chamamos de cadeia de custódia.

Chamamos de preservação.

Hoje percebemos que todas essas ideias continuam presentes.

Estamos apenas observando essas relações em ambientes muito mais complexos.


🔬 Um resultado inesperado do Seminário

Ao revisitarmos nossos próprios trabalhos percebemos algo curioso.

Os conceitos desenvolvidos ao longo dos últimos vinte anos nunca competiram entre si.

A Cadeia de Custódia Digital Arquivística explicava a continuidade.

A Preservação Digital Sistêmica explicava a organização institucional.

Os requisitos arquivísticos descreviam condições necessárias.

O Modelo OAIS organizava funções preservacionais.

Talvez estivéssemos descrevendo diferentes dimensões do mesmo fenômeno sem perceber.

Essa constatação aproximou naturalmente todas essas pesquisas.


Talvez o verdadeiro desafio esteja nas relações

Durante muito tempo discutimos qual seria o melhor software.

Qual seria o melhor repositório.

Qual plataforma atenderia melhor aos requisitos arquivísticos.

Hoje essas perguntas continuam importantes.

Mas talvez já não sejam suficientes.

Um excelente sistema pode fracassar se não dialogar adequadamente com os demais.

Metadados podem perder significado quando deixam de acompanhar os documentos.

A preservação pode ser comprometida quando políticas institucionais deixam de acompanhar a evolução tecnológica.

Em outras palavras.

Os maiores problemas talvez não estejam dentro dos sistemas.

Estejam entre eles.

E talvez seja exatamente isso que os ecossistemas nos ajudam a compreender.


🤔 Uma divergência interessante

Nem todos no Seminário concordaram imediatamente com a utilização da palavra ecossistema.

Alguns colegas argumentaram que ela poderia representar apenas uma metáfora.

Outros defenderam que descrevia adequadamente a complexidade crescente dos ambientes digitais.

Optamos por manter essa discussão aberta.

Talvez a força do conceito dependa menos da palavra utilizada e mais de sua capacidade para explicar fenômenos que os modelos anteriores já não conseguem descrever plenamente.

Seguimos investigando.


Uma hipótese continua amadurecendo

Talvez este seja um dos momentos mais interessantes da pesquisa.

Ainda não temos respostas definitivas.

Mas começamos a perceber uma possível mudança de perspectiva.

Talvez a Arquivologia nunca tenha estudado objetos isolados.

Talvez sempre tenha estudado relações.

A transformação digital apenas tornou essas relações muito mais explícitas.

Se essa hipótese estiver correta, então os ecossistemas arquivísticos digitais não representam uma ruptura.

Representam uma nova maneira de visualizar princípios arquivísticos permanentes.

Ainda precisamos investigar muito.

Mas acreditamos que essa hipótese merece ser compartilhada desde já.


🌱 Uma hipótese em construção

Começamos este Seminário acreditando que pesquisaríamos tecnologias.

Terminamos percebendo que talvez estivéssemos investigando formas de compreender melhor os próprios fundamentos da Arquivologia.

Essa hipótese continuará orientando toda esta coleção.

Talvez ela seja o verdadeiro fio condutor dos nossos próximos Documentos de Pesquisa.


Seguimos aprendendo juntos

Talvez uma das maiores contribuições da Ciência Aberta seja exatamente esta.

Permitir que a comunidade acompanhe não apenas os resultados da pesquisa, mas também sua construção.

As ideias apresentadas neste Diário de Pesquisa ainda estão amadurecendo.

Algumas certamente evoluirão.

Outras talvez sejam reformuladas.

Algumas poderão até ser abandonadas.

E isso faz parte da própria ciência.

Mais importante do que apresentar respostas prontas é construir boas perguntas.

É isso que pretendemos continuar fazendo.


💬 Vamos continuar esta conversa?

Na sua instituição, os documentos permanecem concentrados em um único sistema ou já circulam continuamente entre diferentes plataformas, aplicações e serviços?

Você acredita que a ideia de Ecossistemas Arquivísticos Digitais ajuda a compreender essa realidade?

Conte-nos sua experiência.

Talvez ela ajude a orientar nossos próximos passos de pesquisa.


📅 Próximo Documento de Pesquisa

25 de fevereiro de 2026

O Modelo OAIS sob uma Perspectiva Arquivística

Será que utilizamos o OAIS exatamente da maneira como ele foi concebido? Ou chegou o momento de reinterpretá-lo à luz dos princípios da Arquivologia?

A pesquisa continua.

E esperamos continuar construindo esse conhecimento com você.

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