Documento de Pesquisa nº 11 Arquivologia 2040 A formação do arquivista para a era da Inteligência Artificial, da Ciência de Dados e da Governança Algorítmica
PDS & Ged/A | Diário de Pesquisa
Documento de Pesquisa nº 11
Arquivologia 2040
A formação do arquivista para a era da Inteligência Artificial, da Ciência de Dados e da Governança Algorítmica
10 de junho de 2026
🌎 Ciência Aberta
Este Documento de Pesquisa propõe uma reflexão aberta sobre o futuro da formação arquivística. Não se trata de um currículo definitivo, nem de um conjunto de recomendações normativas. Trata-se de uma hipótese construída coletivamente ao longo de nosso programa de pesquisa, aberta ao debate, à crítica e ao aperfeiçoamento por toda a comunidade arquivística internacional.
📚 O que aprendemos até aqui
Ao longo dos últimos dez Documentos de Pesquisa compreendemos que a transformação digital não modifica apenas os documentos.
Ela modifica também instituições.
Profissões.
Políticas públicas.
Infraestruturas.
Modelos de gestão.
E, inevitavelmente, modifica a formação dos profissionais responsáveis por preservar a memória institucional.
Hoje percebemos que talvez a maior transformação da Arquivologia não esteja ocorrendo nos arquivos.
Ela esteja ocorrendo nas universidades.
🔄 Como nossa pergunta evoluiu
Primeiro perguntamos:
Como preservar documentos digitais?
Depois:
Como preservar autenticidade?
Como preservar confiança?
Como governar agentes inteligentes?
Hoje perguntamos algo diferente.
Como formar profissionais capazes de governar documentos, dados, algoritmos, agentes inteligentes e memória institucional?
Talvez a maior transformação seja educacional
Durante décadas a formação arquivística organizou-se em torno de fundamentos consolidados.
Diplomática.
Tipologia.
Classificação.
Avaliação.
Descrição.
Gestão Documental.
Preservação.
Esses conhecimentos permanecem absolutamente indispensáveis.
Entretanto.
O contexto profissional mudou profundamente.
Os arquivos passaram a dialogar diariamente com Ciência de Dados.
Computação.
Segurança da Informação.
Inteligência Artificial.
Governança Digital.
Talvez a formação também precise evoluir.
📓 Caderno de Laboratório
Durante uma reunião um estudante perguntou:
"Professor, eu preciso aprender programação para ser arquivista?"
Nossa resposta foi outra.
"Talvez a pergunta correta seja: de quanto conhecimento computacional um arquivista precisará para continuar sendo arquivista?"
Essa mudança orientou toda a discussão.
🏛️ Proposição Conceitual
Começamos a trabalhar com a hipótese de que o arquivista do futuro será um profissional de fronteira.
Capaz de dialogar simultaneamente com:
Arquivologia.
Ciência da Informação.
Ciência de Dados.
Computação.
Direito.
Administração.
Ciência Política.
Sem perder sua identidade disciplinar.
O futuro exigirá mais Arquivologia
Existe um equívoco relativamente frequente.
Acredita-se que Inteligência Artificial diminuirá a importância da Arquivologia.
Nossas pesquisas sugerem exatamente o contrário.
Quanto mais inteligentes forem os sistemas.
Maior será a necessidade de compreender:
Autenticidade.
Proveniência.
Contexto.
Cadeia de Custódia.
Governança.
Preservação.
Responsabilidade.
Esses fundamentos não desaparecem.
Tornam-se ainda mais importantes.
💡 Um dos nossos achados
A transformação digital amplia o campo de atuação do arquivista.
Ela não substitui suas competências fundamentais.
Novas competências
Talvez os futuros currículos precisem incorporar temas como:
Inteligência Artificial
Ciência de Dados
Computational Archival Science
IA Generativa
Agentes Inteligentes
Engenharia de Prompts
RAG
Bancos Vetoriais
Grafos de Conhecimento
Ollama e modelos locais
Segurança da Informação
Governança Algorítmica
Explainable AI
Trustworthy AI
Auditoria Algorítmica
Curadoria de Dados
Preservação Digital Sistêmica
PREMIS
OAIS
RiC-CM
Linked Open Data
Ética Digital
Mas também novas responsabilidades
O arquivista continuará sendo responsável por documentos.
Mas também começará a responder por:
configuração de políticas arquivísticas para IA;
qualidade dos metadados;
dados de treinamento;
proteção de dados pessoais;
auditoria documental de algoritmos;
transparência;
explicabilidade;
governança de agentes inteligentes;
preservação de modelos institucionais.
⚖️ Dilema Arquivístico
Quem será responsável por validar uma decisão produzida por um agente inteligente?
O cientista de dados?
O engenheiro?
O gestor?
Ou o arquivista responsável pela política documental?
🔬 Um resultado inesperado
Quanto mais dialogamos com especialistas em Computação.
Mais percebemos que a Arquivologia possui conceitos extremamente necessários para Inteligência Artificial.
Autenticidade.
Proveniência.
Contexto.
Evidência.
Custódia.
Talvez nossa disciplina tenha muito mais a oferecer do que imaginávamos.
Universidades também precisarão mudar
Talvez não seja suficiente criar uma disciplina de Inteligência Artificial.
Talvez seja necessário reorganizar toda a formação.
Projetos integradores.
Laboratórios.
Hackathons.
Parcerias com Computação.
Projetos interdisciplinares.
Estágios em ambientes digitais.
Integração com Ciência de Dados.
Pesquisa aplicada.
Ciência Aberta.
Infraestruturas digitais.
Laboratórios de IA.
Talvez estejamos diante da maior reforma curricular da Arquivologia desde sua institucionalização universitária.
🤔 Uma hipótese parcialmente reformulada
No início acreditávamos que bastaria ensinar novas tecnologias.
Hoje começamos a perceber que talvez seja necessário ensinar uma nova forma de pensar a Arquivologia.
🌱 Uma hipótese em construção
Talvez o arquivista de 2040 não seja definido pelas tecnologias que domina.
Mas pela capacidade de integrar princípios arquivísticos clássicos com ambientes digitais inteligentes.
🧭 Agenda de Pesquisa
Como reorganizar currículos?
Como ensinar IA para arquivistas?
Como ensinar Arquivologia para cientistas de dados?
Como formar equipes interdisciplinares?
Como preservar identidade disciplinar?
Como fortalecer a pesquisa em Computational Archival Science na América Latina?
🔭 Olhando quinze anos à frente
Se nossas hipóteses estiverem corretas.
Em 2040.
Os arquivistas serão reconhecidos internacionalmente como especialistas em governança documental, governança de dados, preservação digital, transparência algorítmica e confiança institucional.
Talvez este seja o futuro da profissão.
E talvez ele já tenha começado.
💬 Vamos continuar esta conversa?
Como você imagina a formação dos arquivistas da próxima geração?
Quais competências continuarão indispensáveis?
Quais precisarão ser incorporadas?
Talvez essa discussão seja uma das mais importantes para o futuro da Arquivologia.
Comentários
Postar um comentário
Comente aqui, por favor .....